Seria a nova era digital a salvação para o cinema independente de terror no Brasil?
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O cinema nacional não é um cinema de indústria. Ele depende de leis de incentivo, ou de financiamentos privados. Isso significa que o dinheiro que é liberado para que sejam realizados filmes no Brasil, é meticulosamente calculado. Não existe garantia de sucesso para um filme, mas há como tomar certas medidas para torná-lo mais provável. Primeiramente, costuma-se favorecer a quem já tem um currículo de peso, o que inclui diretores e atores consagrados, em grande maioria afiliados à Rede Globo de Televisão. Outra medida de segurança é na temática do filme. Os filmes nacionais que disputam um lugar nas salas de cinema com as produções hollywoodianas costumam ser voltados para uma temática que envolve a pobreza, a violência, favelas, o sertão, ou alguma forma de socialismo desfavorecido. Isso não significa que só sejam feitos filmes com essas temáticas no Brasil, mas sim que só eles ganham visibilidade.
Os filmes de terror nacionais estão entre os menos valorizados pelo público e pelo Estado. Há cerca de quarenta anos, José Mojica Marins se aventurou como pôde no gênero, lançando vários títulos que raramente se pagavam. No ano de 2008, mesmo contando com um apoio de um milhão de dólares da filial da Fox Filmes o Brasil, seu mais recente trabalho “A Encarnação do Demônio”, teve pouquíssimo espaço nas salas de cinema nacionais, e não foi assistido por quase ninguém. Curiosamente, Zé do Caixão é mais respeitado fora do Brasil do que em terras nacionais.
Ivan Cardoso é um cineasta importante, pois juntou elementos clássicos de filmes de terror com comédia, criando um subgênero hoje conhecido como “Terrir”. Também teve pouco reconhecimento no Brasil, mas é cultuado na Europa.
O problema que os dois enfrentam é o mesmo: trabalhar com película é caro, e o Estado dificilmente fornece dinheiro para produções de terror.
Felizmente, o cinema está bem no meio de uma revolução digital. Alguns filmes com orçamento multimilionários estão sendo feitos no suporte digital. É o caso, por exemplo, dos recentes filmes da franquia “Star Wars”, e de filmes como “Before the Devil Knows You’re Dead” (2007), do lendário diretor Sidney Lumet. Se Lumet (que faz filmes desde a década de cinqüenta) passou para o suporte digital, isso significa que há esperança para realizadores brasileiros que buscam fazer filmes menos convencionais.
Realizadores da “nova era”:
- Rodrigo Luiz Martins
- Gurcius Gewdner
- Peter Baierstorf
- Karina Bez
- Marcelo Toledo
- Fernando Rick
- Bernadete Lyra
- Gelson Santana
- Semi Salomão Neto
- Kapel Furman
- Rodrigo Aragão
- Elias Júnior
- André Honey
- Rodrigo Salvador
- Christian Saghaard
- Joel Caetano
- Menelau Júnior
- Camilo Tavares
- Dennison Ramalho
- Rodrigo Brandão
- Felipe M. Guerra
Filmes de terror nacionais da “nova era”:
- Entrei em Pânico ao saber o que vocês fizeram na sexta-feira 13 do verão passado (2001)
- A Bruxa do Cemitério (2004)
- Coleção de Humanos Mortos (2005)
- Um Lobisomem na Amazônia (2005)
- A Marca do Terrir (2005)
- Canibais & Solidão (2006)
- Era dos Mortos (2007)
- Cumade Fulozinha (2007)
- Fim de Semana Alucinante (2008)
- Envolvimentos Perigosos (2008)
- A Capital dos Mortos (2008)
- Mangue Negro (2008)
- Encarnação do Demônio (2008)
- O Fim da Picada (2008)
- Rota Comando (2009)
Ainda falta muito para chegarmos a um padrão que fuja definitivamente do “trash” (com exceção dos cineastas que fazem filmes propositalmente nesse estilo), mas o cinema de terror do Brasil realizou mais nos últimos nove anos do que nos quarenta anteriores.
Hoje é possível comprar, a custo relativamente baixo, uma câmera digital capaz de gravar em alta definição (HD) e com recursos tipicamente “cinematográficos”, como filmar em 24 quadros por minuto. É claro que não se faz cinema apenas com uma boa câmera, mas ela é o ponto de partida para qualquer filme de respeito. Além das novas câmeras estarem evoluindo e ficando mais baratas a cada dia, outros equipamentos importantes para a realização de um filme (luz, microfone, tripé, steady cam, etc.) estão cada vez mais acessíveis.
Então eu repito a pergunta: seria a nova era digital a salvação para o cinema independente de terror no Brasil?
O que você prevê para os próximos 10 anos?
Opine.
David di Michelangelo
Posted 1 year ago
Boa questão para reflexão.
O formato digital é uma tendência. O cinema como um todo será beneficiado na medida que o formato digital for mais barato que a película e mais qualitativo. Processo natural e iminente como aconteceu com a indústria fonográfica.
Acredito que a variedade de produção está ligada à indústria. A cada ano nosso cinema lança mais filmes, leva mais público aos cinemas, enriquece mais as produtoras, firma mais parcerias internacionais, abrem-se mais cursos de cinema. Veja que uma microindústria está se firmando.
A partir do momento que essa indústria se autofinanciar e gerar lucros e arrecadação para o reinvestimento e não depender tanto mais do cabresto do capital privado o leque de temáticas de abrirá. Não é preciso, entretanto, cifras hollywoodianas, até mesmo porque isso é impossível.
Um caminho interessante seria a produção para a TV. Acredito que a Globo, Record, Band e os canais pagos deveriam financiar filmes como é tão comum nos Estados Unidos da América. Mas as emissoras estão mais preocupadas em copiar os “sucessos” umas das outras. Se tem acéfalos para assistir…
Para os próximos dez anos, no âmbito geral, acredito que a evolução de agora estará se sustentando mas sem nenhuma revolução. Em relação ao terror creio que uma década não significará muita coisa, infelizmente. Talvez a animação estará mais forte.
Portanto, a digitalização beneficiaria em alguma medida o terror nacional mas não seria o fator principal. Para se contar histórias não convencionais são precisos orçamentos gigantes para contemplar maquiagem, efeitos especiais, edição de som, cenários, etc. Mas, vamos torcer.
P.S. Que pena hein, Ângelo? Tão bonitinha.
Priscila
Posted 1 year ago
Não, é preciso mais do que isso, muito mais que dez anos, o cinema brasileiro, no caso de filmes de terror, tá começando a engatinhar, e muito mal, fazer um filme como Se eu fosse você (legalzinho) não é o mesmo que fazer um filme como O exorcista(muito bom pra época), resumindo detesto filme brasileiro seja qual for o genero.
Despereaux Tilling
Posted 1 year ago
É, talvez sim.
Quando eu visito o Festival do Rio, vejo alguns estudantes que exibem seus curtas em formato digital. Não são curtas com excelente fotografia, mas é um grande começo.
Hoje em dia, você pode colocar um vídeo gravado pelo seu celular (Digo você ou qualquer um, pois eu não tenho telefone celular!) e colocar livremente no YT.
É só ver em vários canais, aspirantes de cineastas fazendo curtas, comerciais de tv, videoclipes etc. por meio de algum aparelho digital.
Se nos próximos dez anos isso acontecer, não posso dizer que será bom, mas cairá muito bem para aqueles que a ANCINE rejeita.
Há também os festivais, o Festival do Rio ajudou no patrocíonio de algumas produções através de produtoras “Não Globo” vindas de países próximos. Ou seja, a divulgação do seu roteiro pode ajudar se você procurar, não é?
Por fim, vai demorar muito para o cinema nacional não comercial melhorar em questões de financiamento.
P-S> Eu estou falando sério. Eu não tenho telefone celular!
P-S2> Adivenhe de quem é esse perfil no Twitter?
http://twitter.com/sabrinal
Bela
Posted 1 year ago
Bom, só falo que estou doente para assistir o filme a capital dos mortos, mas uma vez ouvi isso, abaixo o link
Estou esperando coisa boa mesmo, deve ser genial!!!!!!!!!!
To esperando até agora um presentinho….hahahhahahahha
Promessa é dívida:
Aliás se por acaso te incomodei pelo amor de Deus me avise, tá?
Abraços
http://br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=AiVibP._hAs.JG3z7yAzrQHJ6gt.;_ylv=3?qid=20090320013238AAb6uvP&show=7#profile-info-l6JN3cPqaa

flywithme
Posted 1 year ago
Uau ainda existe pessoas que se preocupam…Beijos